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segunda-feira, 16 de março de 2009

LOMBALGIAS (9)


A lombalgia é um “fenómeno” comum na sociedade actual
(Thorbjörnsson, Alfredsson, Fredriksson, Michélsen, Punnet, Vingard, Torgén & Kilbom, 2000).


O grande impacto psicológico, social e económico que os problemas e queixas lombares têm nos indivíduos e nas sociedades mais desenvolvidas tem estimulado os estudos sobre a sua prevalência e sobre a influência dos diferentes factores de risco a ela associados - Biomorfológicos e psicossociais - em diferentes grupos populacionais e/ou faixas etárias.

A incidência cumulativa de lombalgia na população em geral, relativamente ao tempo total de vida, atinge em termos absolutos valores entre os 60 e os 80% (Nachemson, 1976; Frymoyer, Pope, Clements, Wilder, MacPherson & Ashikaga, 1983; Kelsey & White, 1980; Balagué, Dutoit & Waldburger, 1988).

A maioria dos episódios de lombalgia ocorre na vida adulta (principalmente no adulto jovem e na “meia-idade” - 20 - 55 anos) tornando-se cerca de 10% desses episódios crónicos (com uma duração sempre superior a 3 meses), causando problemas de incapacidade aos indivíduos e problemas de natureza sócio-económica à sociedade (Anderson, 1981; Frymoyer, 1988; Von Korff, 1994).


Estes factores fazem com que esta condição seja considerada um “problema de saúde” nas sociedades desenvolvidas, que se inicia logo nos adolescentes (há estudos que indicam que a partir dos 15 anos o padrão de ocorrência de dor lombar é muito similar ao que se encontra no adulto jovem) e tem repercussões no presente e no futuro de uma parte significativa da população, principalmente na sua idade de vida activa.


Embora actualmente se possua um conhecimento mais aprofundado dos mecanismos fisiopatológicos e biomecânicos que se encontram relacionados com as queixas lombares, frequentemente estes não conseguem explicar totalmente, por si só, os sintomas apresentados pelo indivíduo e a incapacidade que daí resulta. ver LOMBALGIAS (8)
Raul Oliveira, Fisioterapeuta

terça-feira, 3 de março de 2009

LESÕES NO COTOVELO DO JOVEM (5)


LESÕES NO COTOVELO DO JOVEM ATLETA


Princípios Gerais de Intervenção

Se o diagnóstico for precoce e a lesão estiver no 1º estadio em que não há deslocamento de qualquer fragmento nem lesão da superfície articular (ver LESÕES NO COTOVELO DO JOVEM (3) ) o tratamento é conservador com repouso selectivo e restrição das actividades em carga sobre o membro superior evitando ainda os gestos de lançamento (Schenk and Goodnight, 1996)


Nas fases agudas, deve ser controlada a fase inflamatória através das medidas habituais (RICE THERAPY in PRIMEIROS CUIDADOS APÓS LESÕES DESPORTIVAS )

Estas restrições podem durar entre 2 a 3 meses ou pelo menos até recuperação completa da mobilidade articular e sem qualquer dor.


Nas lesões mais graves, extensas e nos estadios mais avançados (sobretudo quando existe um fragmento osteocondral parcial ou totalmente solto - corpo livre) está indicado o tratamento cirúrgico.


EM QUALQUER CASO OU CONDIÇÃO: Deve-se manter sempre que possível a mobilidade articular do cotovelo/antebraço, sem nunca forçar as amplitudes, para evitar encurtamentos adaptativos que em alguns casos podem levar a uma limitação da extensão completa do cotovelo.


Raul Oliveira, Fisioterapeuta
Equilibri_us - Gabinete de Fisioterapia
Av. D. João I, nº 8, Oeiras
309 984 508 /917231718
raulov@netcabo.pt
Faculdade de Motricidade Humana

LESÕES NO COTOVELO DO JOVEM (4)


LESÕES NO COTOVELO DO JOVEM ATLETA (cont.)

A Osteocondrite Dissecante (OD) do Cotovelo do Adolescente é uma condição que ocorre no condilo umeral, sempre depois dos 10/11 anos, e resulta numa lesão do osso sub-condral por perturbação da irrigação sanguínea local levando a uma necrose avascular.
A história natural da OD diagnosticada e tratada tardiamente, leva ao aparecimento de um fragmento osteocondral que pode estar in-situ ou vir a separar-se do osso principal transformando-se num corpo livre intra-articular com consequências na cinemática articular.


O Exame radiológico simples com 2 incidências (A-P e perfil) é o exame complementar de entrada e pode ser suficiente, apesar da Ressonância Magnética ser mais precisa para definir a extensão e a gravidade da lesão osteocondral (ver imagens abaixo)



SINTOMAS:
DOR mal definida na face externa do cotovelo que agrava com gestos de lançamento ou de carga sobre o membro superior com o cotovelo em extensão e ante-braço em pronação.
Normalmente a dor é de instalação gradual e na maioria das vezes o jovem não se lembra de antecedente traumático directo que tenha desencadeado de imediato a dor. No entanto corresponde frequentemente a um aumento na intensidade do treino envolvendo sobretudo os gestos analisados em LESÕES NO COTOVELO DO JOVEM (2).
A dor pode aparecer à palpação local e aos movimentos que simulam os mecanismos etiológicos referidos, particularmente na extensão completa.
Nos estadios mais avançados pode existir um ressalto/crepitar articular nos movimentos de flexão/extensão associados à supinação/pronação. Se houver mesmo episódios de bloqueio mecânico articular, é um forte indicio de haver já um fragmento osteocondral que se soltou e que se tornou num corpo livre intra-articular (loose body).
Pode haver uma limitação dos últimos 15/20º de extensão do cotovelo e dor localizada nas amplitudes extremas de pronação e supinação.
Testes de estabilidade articular podem mostrar alguma instabilidade do complexo ligamentar interno. Nos estadios mais avançados pode existir mesmo deformidade e acentuadas limitações articulares com ou sem bloqueio articular.



CONDIÇÃO SEMELHANTE MAS NA CRIANÇA (4 - 9 ANOS) - DOENÇA DE PANNER que também afecta o condilo umeral do úmero .
É uma osteocondrose do condilo umeral das crianças que envolve o núcleo de ossificação ainda não encerrado (Schenck, Jr and Goodnight, 1996). relativamente pouco comum. Afecta sobretudo os cotovelos dominantes dos rapazes e por razões desconhecidas o crescimento normal do núcleo de ossificação externo do condilo umeral é afectado, o que causa uma alteração na superficie articular. A criança queixa-se de dores durante a actividade e quando realiza movimentos e exercícios, aliviando com o repouso.

Imagens (RX e RM) que mostram Panner`s Disease numa criança



O tratamento deste afecção é normalmente conservador, limitando as actividades fisicas e desportivas mais exigentes com o braço/cotovelo e fazendo um seguimento periódico ao longo de 1/ 2 anos que é tempo que o osso procura regenerar por si, e em que os sintomas vão gradualmente desaparecendo à medida que também se encerra o núcleo de ossificação.
Deve-se manter sempre a mobilidade articular, sem nunca forçar as amplitudes para evitar encurtamentos adaptativos que em alguns casos podem levar a uma limitação da extensão completa do cotovelo.


Lateral Compression Injuries in the Pediatric Elbow: Panner’s Disease and Osteochondritis Dissecans of the Capitellum
Ky Kobayashi, MD, Kevin J. Burton, MD, Craig Rodner, MD, Brian Smith, MD and Andrew E. Caputo, MD
J Am Acad Orthop Surg, Vol 12, No 4, July/August 2004, 246-254.
Abstract:
Lateral compression injuries of the elbow typically occur in throwing athletes and gymnasts. In the preadolescent and adolescent patient, these injuries predominantly include Panner’s disease and osteochondritis dissecans. Panner’s disease, an osteochondrosis of the capitellum, is a rare disorder that usually affects the dominant extremity in individuals younger than age 10 years. Symptomatic management of Panner’s disease consisting of reduction of stressful activities of the elbow is usually sufficient to allow resolution. Although a prolonged period is required for healing, most patients demonstrate excellent long-term results. Osteochondritis dissecans of the capitellum typically occurs in adolescents and is associated with loose body formation. Panner’s disease and osteochondritis dissecans likely represent a continuum of disordered endochondral ossification with presentation and prognosis dependent primarily on age at onset.

Raul Oliveira, Fisioterapeuta
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segunda-feira, 2 de março de 2009

LESÕES NO COTOVELO DO JOVEM (3)


LESÕES NO COTOVELO DO JOVEM ATLETA (cont.)

FISIOPATOLOGIA


A Osteocondrite dissecante (OD) do cotovelo é uma osteocondrose que afecta a epífise articular (dos jovens acima dos 10 anos) quando é sujeita a cargas compressivas elevadas, concentradas e muito precoces.




Como vimos nos anteriores post (1 e 2) parece haver uma predisposição genética associada a 2 tipos de mecanismos etiológicos principais onde a sobrecarga/microtraumatismos repetidos têm responsabilidade.

O quadro fisiopatológico da OD pode ser descrito em 3 estadios:

Estadio - lesão aguda - espessamento e edema nas estruturas intra-articulares e tecidos moles envolventes. Muitas vezes a osso adjacente (metáfise) exibe uma ligeira osteoporose resultante de uma hiperémia activa.

Estadio - A irrigação sanguínea a essa zona da epífise fica afectada levando a uma necrose avascular. Aparecem irregularidades nos contornos da epífise afectada e um estreitamento da zona subcortical com rarefacção óssea (ver seta da imagem de cima). Ao Rx a epífise pode mostrar ainda a existência de um pequeno fragmento.

Estadio - O tecido ósseo necrosado perde o seu papel de suporte estrutural, o que vai provocar numa compressão com achatamento de uma parte da superfície articular, se o jovem atleta continuar a ser sujeito aos mecanismos etiológicos descritos.
É o período onde se tenta dar a reparação através do aparecimento de tecido de granulação que procura substituir o tecido necrosado.

O Exame radiológico simples com 2 incidências (A-P e perfil) é o exame complementar de entrada e pode ser suficiente, apesar da Ressonância Magnética ser mais precisa para definir a extensão e a gravidade da lesão osteocondral.

Raul Oliveira, Fisioterapeuta
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domingo, 1 de março de 2009

LESÕES NO COTOVELO DO JOVEM (2)


LESÕES NO COTOVELO DO JOVEM ATLETA (cont.)

MECANISMOS ETIOLÓGICOS

Apesar de ser desconhecida a causa da Osteocondrite Dissecante do cotovelo no adolescente, sabe-se que 2 tipos de mecanismos etiológicos associados que lhe colocam forças de considerável magnitude:


1) Movimentos e actividades repetidas em posições invertidas e com impacto, em que o peso de todo o corpo é controlado e suportado pelo braços com o cotovelo bloqueado em extensão e as mãos apoiadas e em extensão completa (ver imagem acima)

As forças de compressão sobre as articulações do cotovelo são consideráveis. Particularmente sobre a articulação úmero-radial

2) O acto de lançamento (de uma bola, um peso ou um dardo) ou de remate/serviço com movimento do braço/mão acima da cabeça envolvendo movimentos de aceleração máxima associados a momentos de força rotacional - criados pela cadeia cinética que envolve segmentos anatómicos muito mais fortes como a bacia/anca, tronco e cintura escapular – são gestos potencialmente menos controlados na fase de desaceleração que geram forças assimétricas e/ou elevadas no cotovelo dos jovens atletas.
Durante o movimento de aceleração do braço e para ganhar velocidade, o ângulo fisiológico de valgismo do cúbito (carrying angle) pode ser ligeiramente "acentuado", gerando forças de estiramento sobre o compartimento interno do cotovelo (ligamento lateral interno) e forças de compressão sobre o compartimento externo (articulação úmero-radial). Ver imagem de cima

A fase final do gesto de lançamento/serviço/remate tem características similares
As forças de compressão que a cabeça do rádio faz sobre o condilo umeral são ainda potenciadas na fase seguinte durante a desaceleração caracterizada pela pronação total do antebraço e extensão do cotovelo (ver imagens da fase final do lançamento de bola ou do serviço de ténis)

Estes mecanismos intensamente repetidos e concentrados num período de tempo curto em jovens atletas ainda em fase de crescimento colocam riscos adicionais de lesões de overuse ou sobrecarga na cartilagem da articulação umero-radial

Raul Oliveira, Fisioterapeuta
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sábado, 28 de fevereiro de 2009

LESÕES NO COTOVELO DO JOVEM (1)


LESÕES NO COTOVELO DO JOVEM ATLETA


Os jovens que praticam ginástica (gestos em posições invertidas com o peso do corpo sobre os membros superiores), ténis/badminton e outros desportos onde o lançamento é um gesto fundamental (lançamento do dardo e do peso, andebol, voleibol) podem estar sujeitos a lesões de sobrecarga nas estruturas osteoarticulares do cotovelo que ainda se encontram em fase de crescimento.
Isto no caso de treinos muito intensos, concentrados, repetitivos e precoces.
Esta lesão chama-se OSTEOCONDRITE DISSECANTE do COTOVELO DO ADOLESCENTE.
Os gestos em esforço e/ou em carga repetitiva sobre os ossos ainda imaturos dos jovens, sobretudo na face externa do cotovelo podem enfraquecer/fragilizar o osso subcondral (osso por baixo da cartilagem articular. Esta reveste a superfície articular).
Esta situação continuada pode provocar alterações na irrigação óssea dessa região e sem vascularização o tecido ósseo entra em falência (necrose avascular - ver imagem abaixo) podendo originar o aparecimento de um fragmento ósseo nos casos mais graves e/ou diagnosticados tardiamente.
Não se conhece totalmente a causa mas é comum atribuir-se à sobrecarga (microtraumatismos) particularmente em determinados mecanismos etiológicos (ver post seguinte) e precocidade de treinos em jovens ainda em fase de crescimento.
Há autores que apontam alguma predisposição genética (Osteochondritis Dissecans of the Capitellum in Fraternal Twins: Case Report. Kenniston, J., Beredjiklian, P.; Bozentka, D.
The Journal of Hand Surgery (2008), Volume 33, Issue 8, Pages 1380-1383.
Pode ocorrer igualmente em jovens adultos sujeitos ao mesmo tipo de solicitações de grande intensidade. A Osteocondrite dissecante pode ainda surgir noutras articulações como o joelho e a tibio-társica (tornozelo).
Raul Oliveira, Fisioterapeuta
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

ARTIGO DO MÊS (5/2009)



Growth and development of female dancers aged 8-16 years

Department of Anatomy and Anthropology, Sackler Faculty of Medicine, Tel-Aviv University, Israel. knopp@wincol.ac.il

Original Research Article
American Journal Human Biology, 2008 May-Jun;20(3):299-307.

Little data are available on the growth and development of young female dancers.

Goal: determine whether the body structure and adipose tissue distribution of dancers aged 8-16 years differ from that of non-dancer girls.


Methods: Our cross-sectional study included a group of 1,482 female dancers, aged 8-16 years, and a control group of 226 female non-dancers of similar age cohorts. Fourteen anthropometric measurements were recorded and 15 indices calculated. In none of the linear anthropometric measures, were significant differences found between the two groups. The only significant difference relates to the extent and distribution of adipose tissue: At age 8, both groups show similar weight while at age 13 non-dancers are significantly heavier than dancers (48.4 +/- 9.8 kg for non-dancers and 40.6 +/- 8.7 kg for dancers). At age 15, weight differences between the two groups decrease to only 2 kg. The differences in weight are also expressed in skinfold thickness and chest circumference.
Patterns of adipose tissue distribution differ between the two groups. Mean age at menarche was 13.1 years among dancers and 12.3 years in non-dancers.
Conclusions: musculoskeletal development was found to be very similar in dancers and non-dancers:
(a) dancers and non-dancers (age 8–16 years) share similar body physique and proportion;
(b) dancers and non-dancers manifest similar growth patterns;
(c) fat is distributed differently in dancers compared to nondancers;
d) some delay in age at menarche was observed.
e) The fear of delayed growth from participation in dance training is unjustified.
The specific body type reported for professional dancers is more likely acquired via "teacher's selection" and not training programs.
Parents should not dread the possibility that dance training will delay the growth or reduce the height of their daughters.

Clinical implication
The present study reinforces the idea set forth by several studies (e.g., Baxter-Jones and Maffulli, 2002; Matthews et al., 2006) that dance training does not appear to affect growth. Young dancers (8–16) do not have, or develop, a ‘‘specific’’ body structure but those with the ideal body structure are selected to continue with dancing. In a previous study (Steinberg et al., 2006), we have also demonstrated that dancers’ ROM does not improve or diminish with age, but rather is preserved.
As dancers may restrict caloric intake in order to maintain a low body weight (e.g., Eliakim et al., 2000), dance teachers must carefully monitor and assess dancers in order to detect early anomalies and prevent risky weight-reduction behavior.
O conhecimento dos padrões de crescimento e de maturação neurobiológica de cada jovem bailarina, a avaliação das suas características físicas e psicossociais, o domínio dos factores de risco de lesão (extrínsecos e intrínsecos) associados à prática da cada tipo de dança devem constituir os pilares fundamentais da intervenção multidisciplinar centrada nas jovens bailarinas e que deve envolver professores, pais, fisioterapeutas e médicos, para que se possa praticar a dança num contexto de maior prazer, segurança e afirmação individual e colectiva.

Ana Azevedo e Raul Oliveira, Fisioterapeutas
Consulta da(o) Bailarina(o)
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

ARTIGO DO MÊS (3/2009)

Indications for Surgery in Clinical Outcome Studies of Rotator Cuff Repair
Marx, R.G.; Koulouvaris, P.; Chu, S.K.; Levy, B.A.
Clin Orthop Relat Res (2009) 467:450–456

Abstract:

Full-thickness tears of the rotator cuff are common, but there is no clear consensus regarding indications for rotator cuff surgery.

Because some patients with full-thickness rotator cuff tears who are asymptomatic or symptomatic can be successfully treated nonoperatively, clinical outcome studies of rotator cuff repair should describe the subjects in detail to allow appropriate interpretation of the results. However, we hypothesized the indications for surgery are poorly described in outcome studies of rotator cuff surgery.

We undertook a detailed literature review over 11 years of six major orthopaedic journals to assess whether the indications for surgery were described adequately in studies of rotator cuff repair. Eighty-six papers fit the criteria for the study and were reviewed. Limitations of activities of daily living (31%), failure of nonoperative treatment (52%), duration of nonoperative treatment (26%), and history of nocturnal pain (16%) were reported in a minority of papers overall. The patients' characteristics and indications for surgery were not described in a majority of clinical outcome studies of rotator cuff repair. It is important for these factors to be considered and reported because, without this information, the reasons for and results of rotator cuff repair are difficult to interpret.
Level of Evidence: Level III, prognostic study.

Some key-points

Factors generally believed to affect outcome, and therefore the decision to perform elective rotator cuff repair, include size of the tear, duration of symptoms, failure of nonoperative treatment, duration of nonoperative treatment, nocturnal pain, history of trauma, and limitations of activities of daily living (ADL), not necessarily in that order.
(acrescentava a idade e as exigências funcionais do paciente)

Without detailed knowledge of these factors before surgery, it is difficult to interpret the outcome of the operation.

Nonoperative treatments such as physical therapy, NSAIDs, and steroid injections have beneficial effects for some patients with rotator cuff tears.

Without attempting nonoperative treatment for appropriate patients, there is the potential for patients whose rotator cuff problems could have been improved with nonoperative treatment to have had unnecessary surgery.
(desde que seja uma intervenção adequada à resolução das causas pathomecânicas, fisiopatológicas e disfunções do controle neuromuscular da condição).

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgicmd=Retrieve&db=PubMed&dopt=Citation&list_uids=18949526

Raul Oliveira, Fisioterapeuta
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O TRANSPORTE DE MOCHILAS EM JOVENS (3)

Dados de estudos sobre o TRANSPORTE DE MOCHILAS E OS SEUS EFEITOS NA POSTURA, MARCHA E SINTOMAS ASSOCIADOS

A utilização as mochilas escolares como forma de transportar os diversos materiais e os utensílios necessários para a escola é uma prática universal. Quando as mochilas são mal transportadas, e/ou transportam peso a mais, podem influenciar o desenvolvimento físico das crianças e jovens, podendo originar problemas na saúde da coluna e na sua postura.



Quando as crianças transportam mochilas escolares muito pesadas (considerado como aceitável transportar um peso de 10% o peso corporal do indivíduo, Guyer (2001), Iyer (1999), Negrini et al. (1999) Pascoal et al. (1997)) estas tendem a inclinar o tronco para a frente, “enrolando” os ombros também para a frente, devido ao peso da mochila as “puxarem” para trás (existe uma deslocação do centro de gravidade para trás que é proporcional ao peso transportado na mochila), o que coloca demasiado stress na coluna e nos ombros, causando fadiga muscular, elevada tensão nessas regiões e alterações posturais.



Estas posturas adaptativas causam compressão e/ou alterações do alinhamento biomecânico podendo vir a dificultar o metabolismo e a função normal dos discos vertebrais, reduzindo a sua capacidade de amortecimento, a irrigação normal dos músculos vertebrais levando a situações de tensão excessiva e mesmo a contracturas.

Negrini e Carabalona (2002) analisaram os factores escolares, familiares e pessoais que determinam o peso da mochila escolar em 237 crianças italianas do 6º ano (11,6 anos) e verificaram que, 79,1% das crianças sentem que as mochilas escolares são pesadas, causando fadiga em 65, 7% e dores na coluna vertebral em 46,1%. Existe ainda uma associação, mas não directa, entre o peso e a dor na coluna. A fadiga sentida pelas crianças durante o transporte das mochilas escolares pareceu associada à dor na coluna vertebral.

Os autores verificaram também que o sistema escolar (principalmente os professores), as famílias (os pais e as crianças em idade escolar) apresentam um papel muito importante na determinação do peso das mochilas, selecção das melhores mochilas e formas adequadas de transporte.
Este estudo refere que deve existir uma redução do peso transportando pelos estudantes nas suas mochilas, pois este excede proporcionalmente os limites propostos para os adultos.
Wang, Pascoe e Weimar (2001), investigaram o efeito de transportar uma mochila escolar carregada nos padrões de marcha em 30 estudantes.
Dados principais: quando se transporta uma mochila com 15 % do peso corporal existe uma diminuição na velocidade, uma diminuição do tempo de apoio unipodal e um aumento do tempo de duplo apoio na marcha. Os impulsos por passo aumentam significativamente no tempo de duplo apoio e existe uma diminuição significativa do tempo de apoio unipodal.



Raul Oliveira, Fisioterapeuta
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O TRANSPORTE DE MOCHILAS EM JOVENS (2)

Dados de estudos sobre o TRANSPORTE DE MOCHILAS E OS SEUS EFEITOS NA POSTURA, MARCHA E SINTOMAS ASSOCIADOS

A lombalgia na populações juvenis, é como nos adultos, um fenómeno comum mas geralmente benigno e constitui a expressão da interdependência de uma multiplicidade de “factores de risco” que é necessário identificar, interpretar e compreender.

Investigações produzidas desde 1984 (Salminen, 1984; Fairbank e outros, 1984; Balagué e outros, 1988 e 1994) mostraram que dentro da população juvenil já se encontrava um número significativo de adolescentes com queixas lombares.

A dor na coluna e ombros em jovens adolescentes varia entre os 8% e 74% (Gent e colegas, 2003) e parece estar associada ao transporte de mochilas pesadas.
No estudo feito por Oliveira & Cabri (1999) a prevalência anual de dor lombar em 1139 adolescentes da grande Lisboa entre os 10 e 18 anos, foi de 39,2% e uma grande parte desses sintomas (56,3%) agravava com o transporte das mochilas
Quando cargas excessivas são transportadas por longos períodos de tempo, durante grandes distâncias e por jovens com hábitos sedentários, a coluna compensa de várias formas, provocando fadiga muscular e desgaste das articulações da coluna e caixa torácica (Triano, 2000) o que, a curto ou a longo-prazo, irá produzir sintomas (dor) e/ou alterações posturais.
Pascoe et al (1997) analisaram os diferentes métodos de transportar uma mochila (usá-la num e em ambos os ombros), com 17% do peso corporal, em crianças entre os 11 e os 13 anos e os seus efeitos na postura. Constataram projecção da cabeça para a frente, elevação e rotação interna dos ombros e inclinação do tronco para a frente, tendo contribuído para a diminuição do equilíbrio (ver imagem abaixo).
Estas alterações predispõem a um maior risco de quedas e a disfunções posturais (desvio lateral da coluna, inclinação lateral do tronco para o lado oposto e elevação do ombro quando a mochila é transportada unilateralmente). Estas compensações poderão causar desequilíbrios musculares e danos irreversíveis, se não forem corrigidas e prevenidas precocemente (Pascoe et al, 1997).

Chansirinukore colegas (2001) pretenderam determinar a influência do peso da mochila (15% do peso corporal), a sua posição ao nível da coluna e o tempo de transporte desta, na postura da cervical e dos ombros dos adolescentes,

Concluíram que o transporte da mochila nos dois ombros produz menos alterações nos ângulos medidos, comparativamente ao transporte da mochila num só ombro. Os resultados mostraram diferenças significativas no ângulo craneo-vertebral e na simetria da posição da cabeça quando a mochila pesava 15% do peso corporal comparativamente à ausência de carga.

Estes resultados confirmam as conclusões de Pascoe et al (1997), o que nos sugere que as respostas posturais dos estudantes são sensíveis a cargas iguais ou superiores a 15% do peso corporal.

Estes estudos apontam para que as cargas pesadas (superiores a 15% do peso corporal) têm um efeito significativo no alinhamento postural.

Constatou-se ainda que o ângulo craneo-vertebral diminui depois de as crianças trasnportarem a mochila durante cinco minutos de marcha, o que nos indica que o tempo de transporte de uma mochila influencia a posição do tronco.

Korovessis, Koureas e Zacharatos (2005) realizaram um estudo para verificar a influência do transporte de mochilas ao nível da postura da coluna, dos ombros e do tronco, e ao nível da dor na cervical, na dorsal e na lombar, em 1263 estudantes (12 -18 anos). Concluíram que o transporte de mochilas (particularmente quando transportadas num só ombro) resulta numa alteração da postura do tronco e dos ombros e num aumento da lordose cervical. Para além disso, esse modo de transportar a mochila parece aumentar a dor na coluna dorsal e lombar. Estes autores recomendam, então, o transporte da mochila de forma simétrica, devendo-se usar sempre as duas alças.

Raul Oliveira, Fisioterapeuta
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O TRANSPORTE DE MOCHILAS EM JOVENS (1): EFEITOS NA POSTURA E NA MARCHA

ESTUDO PILOTO: EFEITO DO TRANSPORTE DE UMA MOCHILA ESCOLAR TRADICIONAL COM DOIS NÍVEIS DE CARGA (12,5% E 25% DO PESO CORPORAL DO INDIVÍDUO), NAS VARIÁVEIS CINÉTICAS DA MARCHA (ACTIVIDADE MUSCULAR DO TRONCO E FORÇAS DE REACÇÃO AO SOLO).
Dias, R.; Leal P.; Ferreira, T.D.; Cabri, J.; Oliveira, R.; Faculdade de Motricidade Humana

OBJECTIVO: verificar o efeito que o transporte de uma mochila escolar tradicional, com dois níveis de carga (12,5% e 25% do peso corporal do indivíduo), provoca na actividade muscular do tronco e forças de reacção ao solo.

RELEVÂNCIA: O uso diário de mochilas com peso excessivo, a sua utilização incorrecta, influenciam o desenvolvimento físico das crianças e jovens (Chansirinukor, Wilson, Grimmer & Dansie, 2001) que se encontram na sua fase de formação e maturação, sendo de extrema importância para a diminuição de problemas relacionados com a sua saúde postural com repercussões futuras na vida adulta.

AMOSTRA: Seleccionados por conveniência 5 sujeitos de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 11 e os 13 anos sem história de alterações neuro-músculo-esqueléticas.

MATERIAL E MÉTODOS: Utilizou-se como instrumentos a electromiografia de superfície para a recolha da actividade muscular do tronco e uma plataforma de forças Kistler-9281C para recolha das forças de reacção ao solo (Fx, Fy e Fz). Cada sujeito realizou 11 passagens, iniciando a marcha quer com um pé quer com o outro, sem carga e transportando de forma clássica (apoiada nos 2 ombros) uma mochila tradicional com dois níveis de carga (12,5 e 25% do seu peso corporal com uma sequência aleatória das condições).

ANÁLISE ESTATISTICA: Para se obter as médias e o desvio padrão foi utilizada uma técnica de comparação entre médias, One Way ANOVA- Post Hoc TestSheffe . 2 Related Samples- Wilcoxon Signed Ranks Test com um p menor que 0.05.

RESULTADOS: no período de tempo considerado como geral (0,4s + fase de apoio + 0,4s), os dados mostraram uma diminuição significativa da actividade muscular do músculo multifidus esquerdo (P=0,043) e longo dorsal do tórax direito (P=0,043), quando comparados os valores médios da máxEMG da condição sem mochila com a condição de transporte de carga de 12,5% do peso corporal no primeiro músculo e na comparação efectuada entre a condição sem mochila com a condição de transporte de carga de 25% do peso corporal do indivíduo. Os resultados obtidos na fase de apoio da marcha, mostraram uma diminuição significativa da actividade muscular do músculo multifidus direito e longo dorsal do tórax direito (P=0,043), quando comparada os valores médios da máxEMG da condição sem mochila com a condição de transporte de carga (25% do peso corporal do indivíduo). Encontrou-se um aumento significativo (P=0,043), da componente vertical das forças de reacção ao solo (Fz), quando comparados os valores médios da máxFz e a iFz da situação sem mochila (0%), com ambas as situações de transporte de carga (12,5% e 25% do peso corporal).

CONCLUSÃO: o aumento de carga na mochila escolar tradicional influencia de forma significativa o padrão normal de marcha, pois existe uma tendência para a diminuição da actividade dos extensores da coluna, assim como um aumento da força de impacto ao solo. É necessário a realização de mais estudos sobre esta temática, pois estas alterações cinéticas, numa base diária, podem ter efeitos nocivos no desenvolvimento motor, na saúde e qualidade de vida das crianças e jovens, o que justifica cuidados profilácticos realizados pelos Fisioterapeutas.

Resumo de estudo feito na Faculdade de Motricidade Humana e apresentado no VI Congresso Nacional de Fisioterapeutas em Maio/2005

Raul Oliveira, Fisioterapeuta
Equilibri_us - Gabinete de Fisioterapia
Av. D. João I, nº 8, Oeiras
309 984 508 / 917231718
rmailto:raulov@netcabo.pt
Faculdade de Motricidade Humana

domingo, 25 de janeiro de 2009

LOMBALGIA NOS JOVENS


Reproduzo aqui o resumo de artigo publicado pelos nossos colegas da região centro e cumprimento-os pelo excelente trabalho que têm feito no âmbito da saúde pública.

RAQUIALGIAS NA ENTRADA DA ADOLESCÊNCIA : ESTUDO DOS FACTORES CONDICIONANTES EM ALUNOS DO 5º ANO

Emanuel Vital; Maria João Melo; Ana Isabel Nascimento; Ana Roque

IN REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Vol. 24 – nº 1 – (Janeiro/Junho 2006).


Objectivo: identificar os factores de exposição associados às queixas de raquialgias em alunos do 5º ano de escolaridade.
Relevância: segundo a OMS, as estratégias de promoção da saúde deverão ser dirigidas para a redução dos factores de risco. Estudos epidemiológicos referem um aumento continuado da taxa de incidência das dores nas costas nos adolescentes e identificaram uma associação entre queixas de raquialgias nas crianças e raquialgias na idade adulta. As dores nas costas parecem resultar da interacção de factores orgânicos, biomecânicos e psicossociais. Constata-se que vários estudos apresentam resultados contraditórios em relação à influência daqueles factores. O presente estudo insere-se num trabalho na área dos cuidados de saúde primários que visa identificar características psicossociais, hábitos comportamentais, condição física e estado de saúde de adolescentes da área de influência de dois centros de saúde.

Amostra: 215 sujeitos (rapazes: n = 120; raparigas: n = 95; idade = 11 anos ± 9 meses), correspondendo a 97,3% dos alunos do 5.o ano de escolaridade de dois concelhos da Região Centro de Portugal.

Material e métodos: as características físicas dos sujeitos foram avaliadas em protocolo de exame físico. Para avaliar as características psicossociais, hábitos alimentares e de actividade física, estado de saúde, percepção da qualidade de vida e condições sócio-económicas foram utilizados itens de um questionário da OMS validado para a população portuguesa e cedido especificamente para este estudo. O estudo piloto decorreu entre Novembro e Dezembro de 2003, sendo as colheitas de dados efectuadas entre Fevereiro e Abril de 2004.

Análise estatística: foram utilizados o coeficiente de correlação intraclasse (ICC) e testes não paramétricos para testar o nível de concordância das respostas, o teste do qui­-quadrado serviu para testar a independência entre variáveis e o odds ratio (OR) foi utilizado para quantificar as associações encontradas. Foi adoptado o nível de significância de 0,05 e um intervalo de confiança de 95%.

Resultados: os sujeitos da nossa amostra, na sua maioria (56,7%), não se queixavam de dores nas costas; a taxa de incidência nos últimos seis meses era de cerca de 15,8%; daqueles que referiram ter tido dores nas costas, 21,4% afirmaram que a duração das queixas foi superior a um dia. Não se verificou existir associação estatisticamente significativa entre a frequência de dores nas costas e as variáveis relacionadas com os hábitos comportamentais, condições sócio-familiares e económicas, escola, características da mochila, o peso dos sujeitos, o índice de massa corporal, o rácio cintura/anca, a força muscular, a idade e o sexo, apesar de os dados sugerirem que existem mais raparigas do que rapazes a referirem dores nas costas. Verificou-se a existência de associação entre dores nas costas e queixas psico-somáticas diversas (dores de cabeça, tonturas, fadiga, medo, percepção do estado de saúde), hábitos de actividade física (tempo passado a ver televisão e jogar computador), tempo em que transporta a mochila percepção do peso da mochila, altura, comprimento dos membros inferiores, distância das mãos ao chão e rácios musculares extensores/abdominais e extensores/flexores laterais.
Conclusões: os dados deste estudo reportam-se a um conjunto de adolescentes constituído por sujeitos com diferentes níveis de desenvolvimento físico, mental e psicológico que de algum modo poderão ter influenciado os resultados obtidos. Foram identificadas, contudo, algumas características físicas dos sujeitos (rácios de força muscular, altura, mobilidade do tronco) que revelaram estar associadas às queixas de dores nas costas. Um dos resultados mais relevantes sugere que o «desequilíbrio muscular» mas não a força muscular, estava associado a queixas de dores nas costas. Estes achados introduzem um novo dado no problema, abrindo possibilidades de intervenção que podem ser implementadas no âmbito da actividade de fisioterapia nas equipas de saúde escolar. Deve-se notar, contudo, que as raquialgias constituem um problema multidimensional e que vários factores poderão estar a condicioná-las nesta amostra, justificando-se a continuidade e aprofundamento deste estudo.

Palavras-chave: adolescentes; comportamentos de saúde; raquialgias; vigilância em saúde; promoção da saúde.

Artigo completo em

LOMBALGIA NOS ADOLESCENTES

Lombalgia nos Adolescentes – Identificação de Factores de Risco Psicossociais. Estudo Epidemiológico na região da grande Lisboa.
Coelho, L.; Almeida, V. ; Oliveira, R.
Artigo completo in REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Vol. 23 – nº 1 – (Janeiro/Junho 2005) disponivel online

Objectivos: determinar a influência de factores de risco psicossociais na ocorrência de lombalgia durante o ano lectivo de 2002-2003 em adolescentes com idades compreendidas entre os 11 e os 15 anos moradores na Região da Grande Lisboa.

Desenho do estudo: transversal e retrospectivo (tipo survey), baseado num questionário de auto-resposta e numa escala de validados.

Métodos: amostra constituída por 208 adolescentes (103 rapazes e 105 raparigas) com idades entre os 11 e os 15 anos (média de 12,8 ± 1,44) e com distribuição homogénea nas principais variáveis. O questionário incluiu dados pessoais, factores psicossociais (tabagismo, participação desportiva, hábitos sedentários), escala visual análoga da dor, e foi, em conjunto com a escala de autoconceito de Piers-Harris, distribuído e recolhido pelos autores em escolas e clubes da Região de Lisboa.

Resultados: a prevalência da lombalgia foi de 39,4%. Encontrámos relação entre a prevalência de lombalgia e a ausência de actividade física (p = 0,001), o tempo gasto em jogos electrónicos. Na maioria dos casos (72%), a lombalgia foi «uma situação benigna» resolvida espontaneamente em dois dias, mas pelo menos um em cada quatro jovens «sofredores» recorreu ao apoio externo (por exemplo tratamento médico, fisioterapia). Cerca de 13% tornaram-se «sofredores» de lombalgia com agravamento do quadro inicial.

Conclusões: a lombalgia nos jovens é um fenómeno comum que deve ser entendido como «uma experiência normal de vida». Existe uma associação entre a lombalgia e a ausência de prática desportiva, a ausência de deslocações casa-escola-casa a pé, o tempo gasto em jogos electrónicos e o baixo nível de autoconceito. Os factores psicológicos, como o autoconceito, são importantes variáveis a ter em conta nos estudos de identificação de factores psicossociais associados à lombalgia.
Palavras-chave: saúde dos adolescentes; lombalgias; factores de risco; psicossociologia da saúde.
ARTIGO COMPLETO


http://www.ensp.unl.pt/dispositivos-de-apoio/cdi/cdi/sector-de-publicacoes/revista/2000-2008/conteudos/conteudos_2005_vol1