Na sequência de post. anteriores em que desenvolvemos a ideia de que o movimento e função precoce são essenciais no processo de regeneração tecidular promovendo uma recuperação funcional mais eficiente (rápida, sólida e com menos riscos de recidiva), procuramos agora de forma sucinta descrever os efeitos da imobilização total (p.ex com a aplicação de talas gessadas ou outros meios de imobilização total) e prolongada (mais de 2 semanas) nos tecidos moles como os ligamentos, cápsula articular, tendões, músculos, etc. (Norkin et al, 1992)
Efeitos de imobilização nos diversos tecidos moles
CÁPSULA E LIGAMENTOS - Meios de estabilidade articular estática
TENDÕES / MÚSCULOS - Meios de estabilidade articular dinâmica e responsáveis pelo movimento.
a) Mudanças do arranjo paralelo das fibras com diminuição do conteúdo de água e proteoglicanos e alteração do equilíbrio entre a síntese/reabsorção do colagéneo. Alteração do comportamento visco-elástico;
b) Alteração significativa no comportamento biomecânico com redução da capacidade de resistir às forças de tensão/estiramento e perda da capacidade de absorção de energia (ver gráfico acima)
c) Diminuição do in-put proprioceptivo, proveniente dos receptores articulares, musculares e tendinosos pela ausência de movimento.;
d) Na inserção dos ligamentos, tendões e músculos no osso há fragilização das fibras de inserção devido à acção de reabsorção óssea;
e) Processos de cicatrização excessiva com formação de aderências e/ou fibroses. Proliferação de tecido fibroso e adiposo para o espaço articular com formação de aderências intra-articulares e/ou peri-articulares;
f) Perda da mobilidade por encurtamentos adaptativos.;
g) Tecido imaturo e com uma organização funcional diferente não preparado para as solicitações neuromecânicas exigidas pela função e actividade física;
h) Alterações dos padrões sensoriais e neuromotores do movimento (padrões de activação neuromuscular).
i) Efeitos da imobilização prolongada na CARTILAGEM ARTICULAR: Aderências de tecido conjuntivo fibroso e adiposo à superfície da cartilagem; ATROFIA da CARTILAGEM e diminuição dos conteúdos de água e proteoglicanos com DIMINUIÇÃO nas suas CAPACIDADES de AMORTECIMENTO das FORÇAS/CARGAS
j) No OSSO a imobilização prolongada pode levar a uma Osteoporose regional + alterações nas linhas de carga
É O MOVIMENTO/FUNÇÃO QUE PREVINE e/ou INVERTE TODO ESTE PROCESSO
Raul Oliveira, Fisioterapeuta
R´Equilibri_us - Gabinete de Fisioterapia
Av. D. João I, nº 8, Oeiras
309 984 508 / 917231718
raulov@netcabo.pt
Faculdade de Motricidade Humana
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